Desde agosto de 2020, o Programa Mais Visão já realizou mais de 100 mil procedimentos cirúrgicos no Amapá, destes, 60 mil foram cirurgias oftalmológicas para tratamento de catarata, todas bem sucedidas. Entretanto, 104 pacientes apresentaram efeitos colaterais na recuperação das cirurgias, alguns perderam parcialmente a visão e oito destes pacientes tiveram que retirar o globo ocular.
Segundo a direção do programa, 104 pacientes operados no dia 04 de setembro apresentaram uma infecção por um patógeno raro, uma espécie de fungo chamado fusariun polini. A contaminação ocorreu no centro cirúrgico onde aconteciam os procedimentos do Mais Visão.
Após os casos de infecção, a direção do Mais Visão resolveu suspender o programa. Mais de 50 pacientes estão sendo acompanhados em centros especializados fora do estado e, por determinação do Governador do Amapá, Clécio Luís, todos os custos estão sendo arcados pelo GEA.
Leia a nota do Governo do Amapá na íntegra:
“O Governo do Amapá se solidariza com os pacientes que tiveram as córneas afetadas por uma infecção que ocorreu após as cirurgias de catarata realizadas, em setembro, durante o Programa Mais Visão, que recebe emenda parlamentar e é executado por uma empresa contratada para a prestação do serviço por meio de convênio entre o Estado e o Centro de Promoção Humana Frei Daniel de Samarate (Capuchinhos).
Assim que foi notificada sobre o problema pela empresa, a Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) iniciou uma investigação para identificar o que motivou as infecções. Após análises foi encontrado o fungo Fusarium, que provoca a endoftalmite, um tipo raro de infecção produzido pela ação de microrganismos que penetram na parte interna do olho, como tecidos, fluidos e estrutura.
O suporte dado às famílias pela empresa responsável pelos procedimentos também é acompanhado de perto pelo Governo do Estado. Os pacientes estão recebendo serviços médicos 24h, medicação, transporte, deslocamento a outros estados e atendimento psicológico.
O programa teve início no Amapá em 2020 e, de acordo com os Capuchinhos, já realizou mais de 100 mil atendimentos, sendo a maior demanda por cirurgias de catarata com mais de 50 mil. Foram beneficiados principalmente idosos, pessoas de baixa renda e povos indígenas, como as aldeias Kumenê e Manga, no município de Oiapoque. O programa também trouxe novidades para a rede pública, como a cirurgia de pterígio e o YAG laser, que é a limpeza da lente das pessoas que passaram pela cirurgia de catarata.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) repassa os recursos federais para a entidade, que por sua vez, contrata uma empresa terceirizada responsável pelos procedimentos aos pacientes. O último repasse feito pelo convênio foi em setembro.
O Estado entende que a trajetória do Mais Visão ajudou milhares de pessoas com casos bem sucedidos, e com inúmeros relatos de retorno total da visão. Ainda assim, diante do ocorrido, os Capuchinhos paralisaram os atendimentos imediatamente após os primeiros relatos de infecção e no dia 6 de outubro, o programa foi suspenso.”