A resistência do prefeito Antônio Furlan em dizer que é pré-candidato ao governo tem despertado certa curiosidade. Perguntado em pelos menos duas ocasiões sobre a eleição deste ano, ele sai pela tangente dizendo que aguarda os prazos eleitorais para anunciar a decisão. Pode ser apenas cautela, mas há um indicativo de que seja dúvida mesmo. Gente com acesso ao prefeito diz que ele pode abrir do governo e concorrer ao Senado. E, analisando bem faz sentido.
Todo enrolado com a justiça, respondendo processos que podem deixá-lo inelegível e sendo alvo de operações da Polícia Federal que podem levá-lo à cadeia, Furlan estaria mais protegido com o foro privilegiado de senador. Em Brasília, Furlan poderia ajudar o irmão promotor, que também enfrenta problemas com a justiça. Além disso, na eleição de 2030, Furlan poderia concorrer ao governo sem precisar deixar de ser senador. E, em caso de derrota, ainda teria 4 anos de mandato e proteção no Senado.
Outro fator que estaria pesando e alimentando a dúvida é o risco de derrota na eleição para o governo. Apesar de bem colocado nas pesquisas, Furlan está isolado. Clécio tem o apoio das principais lideranças políticas do Amapá e já começa a diminuir a diferença entre os dois. Em caso de derrota, sem mandato e sem foro privilegiado, Furlan e o irmão estariam com o pescoço à mostra e, em pouquíssimo tempo poderiam ir do céu ao inferno.
Nessa possível mudança de rota, Rayssa seria candidata à deputada federal e poderia ser bem votada, com possibilidade de puxar um ou dois outros companheiros de partido. A vaga de candidato ao governo poderia ser preenchida por outro aliado, que teria Furlan como cabo eleitoral mais forte. Se o candidato ganhar, ótimo! Se não ganhar, pelo menos Furlan teria garantido a proteção que tanto precisa e levaria consigo para Brasília a esposa e um ou dois outros aliados.
Para não desmobilizar a militância, Furlan deixaria a confirmação da candidatura ao governo ou a possível mudança de plano para o Senado para a última hora. Ele renunciaria ao mandato de prefeito em abril, como manda a legislação, sem dizer o cargo que pretende disputar e, no prazo final, em agosto, tomaria a decisão. Até lá, o prefeito continuaria evitando se posicionar, deixando no imaginário do eleitor que tudo já estaria definido.
Não é um simples cálculo político. Trata-se de uma análise de risco e contenção de danos. Pode não ser só cautela, pode ser apenas dúvida, mas pode ser medo também. Ou uma junção de tudo isso fazendo o instinto de sobrevivência falar mais alto que a vaidade e a arrogância que marcam a trajetória do grupo do prefeito e da primeira-dama. O tempo dirá o que é.


